- É só um modo de falar, estou querendo dizer que ele vai me explicar direitinho o que pretendia ao me mandar para aquele lugar horrível...
- *Meow*?! A Nekomata preferiu não responder mais, afinal, ela já sabia que aquele cabeça dura não mudaria de ideia.
Ao chegar na banca do velho sapo, o barrigudo quase caiu de costas ao ver o rapaz diante dos seus olhos...
-O-olá meu caro rapaz, a quanto tempo não é mesmo? Que bom vê-lo, pena que você chegou tarde, eu já estava indo para casa... É que eu tenho uma esposa e cinco filhinhos, e a patroa não coloca o jantar antes de eu chegar, não quero deixar meus filhinhos com fome não é mesmo? Enfim, tchau!
- Espera aí, pode ir parando! Acha mesmo que eu vou cair nessa? Você não tem casa, muito menos filhinhos esperando por você!
- Mas é claro que eu tenho! Porque eu mentiria? Todos aqui me conhecem, sou conhecidíssimo por ser totalmente de confiança! O sapo inflava o peito, seu papo parecia um balão, e seus olhos semiabertos passavam uma impressão de estar muito indignado com aquelas acusações.
Então, incomodada com a situação que parecia demorar mais que o esperado, a Nekomata resolveu intervir:
- Qual é sapo, todos no mundo espiritual sabem que você é só um espírito ganancioso que adora contar lorotas... Porque você mandou este garoto buscar aquela katana amaldiçoada?
- Mentiroso, eu? Jamais! Disse o sapo...
- Ele que deve ter mentido para você! Ele mesmo me pediu para cuidar de seus pertences enquanto ia em sua casa buscar um “tesouro” para negociar comigo... Confesso que logo fiquei desconfiado, nunca o vi por estas bandas... Eu já sabia que ele não era lá muito honesto! Disse o sapo gesticulando e chamando a atenção de todos ao seu redor.
Taehoon já estava vermelho de raiva, então gritou com o velho espírito:
- Que mentira! Você me disse que era um antigo tesouro de família que haviam lhe roubado seu cururu infeliz!
- Realmente era um tesouro de família, só não era da família dele! Disse a gata.
- Onde estão minhas coisas? Me devolva agora! Quero minha bolsa e meus pertences, falou o rapaz.
- Como assim garoto? Eu as vendi! Vendi tudo para pagar o trabalho que tive ao vigiar todos os seus trambolhos por esse tempo todo, ou você achou que eu trabalharia como guarda-volumes de graça? Esse garoto é um folgado!
- Não acredito nisso, você vai me devolver o dinheiro de tudo que vendeu! Disse Taehoon.
- Não vou mesmo! Seu boboca!
Então o velho sapo riu com deboche, logo em seguida pulou em um pote com água, durante seu salto, ele pareceu diminuir de tamanho, então ao mergulhar no pote, enfiou-se lá dentro e sumiu dentro da água, reaparecendo em outro pote em uma banca próxima dali... Ele claramente estava usando a água para escapar de fininho!
- Vamos peluda, não vamos deixar esse sapo trapaceiro fugir!
Então o sapo mais uma vez saltou em outro recipiente, desta vez em um vaso de flores, diminuindo ainda mais de tamanho. Saindo em um caldeirão, o espírito continuava a pular em qualquer recipiente com água que encontrava pela frente.
Rapidamente o anfíbio saiu em outro ponto, mas desta vez Taehoon já esperava que ele fosse mergulhar novamente, afinal, aquilo já estava ficando previsível... O garoto pegou um pequeno bule de chá de porcelana em uma banca que avistou pela frente, e tirando sua tampa, correu para interceptar o pulo do sapo, que já estava tão pequeno que caberia em qualquer lugar.
Quando espírito que mudara de tamanho saltou rumo ao único recipiente com água que havia próximo, Taehoon colocou seu bule no meio, capturando o sapo que agora parecia bem pequeno dentro do bule.
- Agora eu te peguei! Disse o rapaz.
- Você acha que vai conseguir me pegar? Vou ficar escondido aqui dentro e você jamais conseguirá tomar o meu precioso dinheiro!
- E quem disse que eu quero tira-lo daí seu sapo trapaceiro!?
Taehoon então pegou em meio às quinquilharias da banca ao lado uma rolha, tapou o bico do bule, e em seguida fechou bem a tampa...
- Por acaso você ainda tem papel e tinta gatinha?
- Tenho sim garoto, o que você pretende?
Taehoon surpreendeu a gata ao fazer mais alguns selos de purificação, iguais aos que havia feito no antigo dojo. Então ele colou alguns selos no recipiente, selando o espírito do sapo dentro daquele pequeno bule de chá...
- Ei o que está fazendo garoto!? Deixe-me sair! Eu ordeno que me deixe sair! Gritava o sapo, mas sua voz quase não se ouvia...
- Pronto! Agora você pode ficar aí dentro com o seu amado dinheiro, seu espírito ganancioso e trapaceiro! Taehoon parecia aliviado ao falar.
- Parece que você não é tão distraído assim garoto! Estou surpresa com sua perspicácia...
- Obrigado pela ajuda Nekomata, obrigado por tudo!
Então, agora finalmente de cabeça fria, Taehoon olhava em volta a bagunça que haviam feito... Todos pareciam estar assistindo o desfecho da história, ele olhava seus rostos, alguns riam, outros estavam surpresos, outros aplaudiam e gargalhavam... Então alguém tocou em seu ombro. E antes mesmo de virar-se ele sabia que conhecia aquela pessoa.
A Viajante Determinada
Yumiko parecia um pouco mais conformada, ao lado de sua amiga ela se sentia mais confiante, e tudo parecia correr bem, então resolveram seguir a um local que sua guia disse ser muito importante para saberem como sair desta situação: a Gruta da Verdade.
- Vamos doce menina, lá encontraremos uma sábia anciã, e através das águas da verdade ela nos dirá tudo que precisamos saber... Disse a mulher raposa.
Chegando lá, Yumiko estava boquiaberta com o local, mas o que mais chamou sua atenção foi a anciã sentada sobre as águas... Ela parecia com a sua guia, mas parecia ter muito mais caudas, e usava um fino véu sobre o rosto, que expressava um semblante de tranquilidade e benevolência.
- Sei porque vocês estão aqui... Eu já estava esperando vocês... Disse a sábia.
- Queremos saber a verdade, porque o mundo espiritual e o mundo material estão em desarmonia... Disse a Kitsune que guiava a garotinha.
Então a anciã soprou calmamente, fazendo uma brisa suave trazer algumas pétalas de flor que tocaram o chão criando vibrações sobre o espelho d’água. Então a sábia começou a falar, enquanto suas caudas se moviam com leveza e graciosidade:
- Em um tempo já esquecido, um jovem imperador governava seu povo com cetro de ferro... O Imperador de Jade como era conhecido, não era um bom governante, suas ações eram guiadas pela sua enorme ganância, muitas vezes arrastando seu povo para guerras para expandir seus domínios e deixando-os na miséria, muitos o achavam louco, afinal, nem mesmo sua família importava para ele, ele era cruel e impiedoso com todos ao seu redor.
- Quando estava prestes a levar todo seu reino à ruína, ele foi traído pelos próprios servos, que o mataram, dando um fim ao seu reinado sangrento.
- Chegando no mundo espiritual, ele queria fazer um reinado eterno... Um reino onde ele governaria pela eternidade... A sua ganância não permitiu que ele seguisse em frente, por isso virou o grande causador deste cataclisma mágico.
- Aproveitando-se desta época em que o véu entre os mundos está frágil, ele ordenou que seus subordinados roubassem objetos sagrados do templo, corrompendo-os e aumentando seu poder, abrindo um portal mágico e trazendo pessoas para roubar suas almas, fortalecendo ainda mais seus poderes malignos...
- Agora é tarde para resolver o que passou, mas vocês podem evitar o que ainda está por vir!
- Vão imediatamente até a fonte dos desejos, se vocês realmente desejarem de coração que isso termine, serão ajudados pela magia...
As duas garotas saíram mais uma vez, porém diferente das outras, sabiam onde ir, e o que fazer...
CONTINUA...